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segunda-feira, 5 de março de 2012

MME confirma potencial para petróleo e gás natural na costa do Pará




Informações fornecidas pelo Ministério de Minas e Energia (MME), através de ofício assinado pelo ministro Edison Lobão e endereçado ao deputado José Priante (PMDB-PA), confirmou, em novembro do ano passado, as perspectivas promissoras para descobertas de petróleo e gás na costa do Pará. O potencial petrolífero do litoral norte brasileiro, incluindo a foz do Amazonas, foi revelado pelo DIÁRIO em matéria veiculada na edição de ontem.

A correspondência do ministro, datada de 29 de novembro, foi provocada por um requerimento de informação de autoria de Priante, apresentado na Câmara dos Deputados e aprovado em plenário. No requerimento, o parlamentar, traduzindo a expectativa do povo paraense em relação ao assunto, solicitava ao MME informações sobre os resultados de estudos e prospecções realizados pela Petrobras para encontrar óleo e gás natural na bacia Pará-Maranhão.

Em resposta à indagação, o documento encaminhado pelo ministro Edison Lobão incluiu dados fornecidos tanto pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) quanto pela área técnica do próprio Ministério.

A Superintendência de Definição de Blocos da ANP, por exemplo, revelou, em nota técnica, que, além do potencial esperado nas bacias do Parnaíba, Barreirinhas e Pará-Maranhão, diversas são as bacias que estão localizadas, total ou parcialmente, nos Estados do Pará e do Maranhão, no Amazonas, Bragança-Viseu, Marajó e Foz do Amazonas.

FOMENTO

“A ANP vislumbra potencial promissor para essas bacias de fronteira exploratória e vem investindo sistematicamente na aquisição de novos dados, visando o fomento das atividades exploratórias e a descentralização de investimentos”, acrescenta a nota.

A ANP classifica como “região de potencial petrolífero altamente promissor” a margem equatorial brasileira, formada pelas bacias da Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar. A ANP fundamenta sua análise não somente em descobertas comerciais e subcomerciais já ocorridas nessas

bacias, mas também em indí-

cios de petróleo registrados em vários poços de exploração.

A ANP assinala que, recentemente, o modelo exploratório de petróleo na margem equatorial brasileira foi alterado em decorrência do sucesso exploratório na margem equatorial africana, bem como nos países vizinhos da margem equatorial da América do Sul.

(Fonte: Diário do Pará)

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Nas águas profundas de Sergipe e Alagoas



A Petrobras recebe este mês a primeira sonda que será dedicada exclusivamente a campanhas exploratórias no offshore da Bacia de Sergipe-Alagoas. O navio sonda Deepsea Metro II, da Odfjell Drilling, é a prova da aposta do E&P da petroleira na nova fronteira exploratória descoberta em águas profundas da bacia com o prospecto Barra (1-BRSA-851-SES), no bloco BM-SEAL-11.
Operadora única do offshore da bacia, a Petrobras projeta para este ano a perfuração de seis poços exploratórios no chamado Polígono de Águas Profundas – que engloba os blocos BM-SEAL-4 e BM-SEAL-10, além do próprio BM-SEAL-11. Outros seis poços serão feitos no projeto de revitalização dos campos de Camorim, Guaricema e Dourado, todos em águas rasas.
A descoberta de Barra realmente tem movimentado os técnicos da petroleira em direção às águas profundas da região, processo iniciado com o campo de Piranema, declarado comercial em 2004. O poço pioneiro foi perfurado em lâmina d’água de 2.311 m, a 58 km da costa de Sergipe. O trabalho demandou aporte de US$ 40 milhões.
A comprovação da descoberta ocorreu por meio de perfilagem e amostragem (líquidos e gases) de fluido em teste de formação a poço revestido. Foram confirmadas excelentes condições de porosidade dos reservatórios em profundidade de cerca de 5.050 m e 5.400 m. No intervalo superior foi constatado condensado e óleo leve de excelente qualidade, em torno de 43º API, e no intervalo inferior, verificou-se a ocorrência de óleo com 32º API.
As informações obtidas até o momento ainda não foram suficientes para definir os volumes recuperáveis, mas a Petrobras garante que a descoberta corresponde a uma nova província petrolífera em Sergipe-Alagoas. Segundo a companhia, os reservatórios identificados são semelhantes aos da seção marinha da Bacia de Campos.
O Deepsea Metro II deve participar da campanha de delimitação de Barra. Afretado ao custo total de US$ 531 milhões – taxa diária de cerca de US$ 481 mil –, o navio-sonda da Odfjell foi construído no estaleiro Hyundai, na Coreia do Sul. Em meados do mês passado a embarcação estava fundeada próximo à entrada da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, entre as ilhas Pai e Mãe, para depois ser deslocada até Sergipe, numa viagem que deve durar de três a quatro dias.
Cinco sondas para SEAL
Com toda a área de águas profundas coberta com sísmica 3D, a Área de Exploração da Unidade Operacional de Sergipe Alagoas (UO-SEAL) da Petrobras foca agora seu trabalho nas campanhas de perfuração. A meta é estar com cinco sondas operando na bacia no segundo semestre, superando a capacidade instalada no Espírito Santo, por exemplo.
Atualmente a Petrobras perfura três poços na bacia, sendo dois no BM-SEAL-10 e um no BM-SEAL-11. As campanhas são feitas pelas sondas SC Lancer, da Schahin, DS Carolina, da Petroserv, e Petrobras 10.000, da própria empresa. O navio-sonda DS Carolina (NS-29) foi o último deles a receber anuência do Ibama, no fim de dezembro passado.
No último ano, a Petrobras perfurou um poço em cada bloco do Polígono de Águas Profundas. O primeiro furo, feito no BM-SEAL-10, indicou a presença de óleo. O segundo, no BM-SEAL-11, a presença de gás natural e condensado. “O modelo geológico testado nos deu segurança. A descoberta abre uma enorme perspectiva para áreas em Sergipe”, comenta o gerente-geral da UO-SEAL, Eugênio Dezen.
Toda a logística de apoio para as campanhas está sendo feita no Aeroporto de Santa Maria, em Aracaju, e a partir do Terminal Marítimo de Inácio Barbosa (TMIB), em Barra dos Coqueiros. A Petrobras chegou a operar seu apoio portuário para Sergipe a partir da base de Imbetiba, em Macaé, mas desde meados do ano passado já opera na região.

Fonte: Revista Brasil Energia
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Petrobras espera 33 sondas do Brasil



A Petrobrás encomendou no último ano 33 sondas de perfuração para águas ultraprofundas a serem produzidas no Brasil. Serão as primeiras em solo nacional, incluindo as seis do Jurong Aracruz. Fomentados pelo governo, que usa as encomendas para revitalizar a indústria naval brasileira, os contratos injetarão US$ 95 bilhões no setor.
A estatal afirma que os preços são comparáveis aos que seriam cobrados no exterior. O risco, neste caso, são os atrasos nos megaequipamentos necessários para explorar o pré-sal, uma área equivalente à do Estado do Ceará, cujo petróleo está a mais de 2 quilômetros de profundidade.
Oito estaleiros ficarão responsáveis pela construção e montagem, porém mais da metade do parque ainda está em construção. Apenas Keppel, Mauá e Eisa estão prontos, enquanto Jurong, Atlântico Sul, Paraguaçu, Rio Grande e Eisa Alagoas estão apenas parcialmente construídos ou ainda no chão. As sondas precisam ser entregues a partir de junho de 2015 até 2020.
São 48 meses após a assinatura do primeiro contrato. Em média, uma nova sonda é entregue a cada oito meses e os contratos contemplam afretamento por até 15 anos. "O risco de atraso está nas primeiras, e não nas últimas, pois o estaleiro vai repetir a construção, e há uma curva de aprendizado", disse o presidente da Sete Brasil, João Carlos Ferraz, no anúncio do negócio. A empresa de investimentos, da qual a Petrobrás detém 10% ao lado de bancos e fundos, é responsável por 28 das 33 sondas. As outras 5 estão com a concorrente Ocean Rig. Nenhuma será da Petrobrás, pois serão afretadas à estatal.
Membro do Fundo Nacional de Marinha Mercante, o presidente do Sindicato Nacional dos Oficiais da Marinha Mercante, Severino Almeida, diz ter confiança absoluta de que a indústria nacional tem capacidade de atender as encomendas. "Em um estaleiro, 90% do trabalho é de montagem." Porém, Almeida diz que atraso no setor é regra no Brasil e não deve ser diferente agora. "Em 33 anos, nunca vi um prazo neste setor ser cumprido."
O caso mais conhecido de estaleiro virtual no Brasil é o Atlântico Sul (EAS), em Ipojuca (PE), onde a Petrobrás enfrenta problemas sérios de atrasos. O navio João Candido deveria ter sido entregue à Transpetro, subsidiária da Petrobrás, em agosto de 2010, mas apresenta problemas com solda e nivelamento. O EAS informou esta semana que a embarcação passa por testes, mas não deu prazo para a entrada em operação.
Sete sondas foram encomendadas pela Petrobrás ao estaleiro em 2011, para entrega a partir de 2015. Questionado sobre o cronograma, o EAS disse que "reavalia os prazos no sentido de atender o mais rapidamente possível às encomendas".

Fonte: O Estado de São Paulo
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FPSO BW Cidade de São Vicente inicia operação no pré-sal de Santos



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O navio plataforma FPSO BW Cidade de São Vicente iniciou operação na área de Iracema (Bloco BM-S-11),  no pré-sal da Bacia de Santos. A plataforma foi conectada ao poço RJS-647, em águas onde a profundidade é de 2.212 metros.

A plataforma deve operar na área por um período aproximado de seis meses, com o objetivo de coletar informações técnicas sobre o comportamento dos reservatórios e escoamento do petróleo nas linhas submarinas, entre outros dados. Essas informações darão suporte ao desenvolvimento do sistema definitivo de produção, previsto para entrar em operação na área no final de 2014, com a instalação do FPSO Cidade de Mangaratiba.

O poço deverá produzir, no período do teste, uma vazão restrita de cerca de dez mil barris de petróleo por dia. O projeto está sendo desenvolvido pelo consórcio formado pela Petrobras (operadora, com 65% de participação), BG E&P Brasil Ltda.- BG Group (25%) e Petrogal Brasil S.A. (10%).

O  FPSO BW Cidade de São Vicente é  um navio produtor de óleo e gás e que também armazena e escoa o petróleo  produzido  para  navios  transportadores. Sua capacidade de processo é de até 30 mil barris de óleo por dia.


Fonte: TN Petróleo
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Petrobras vai oferecer 11 mil vagas em cursos gratuitos de petróleo e gás

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A Petrobras vai oferecer este ano 11 mil vagas para cursos gratuitos dentro do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp). As inscrições começam no próximo dia 7 e vão até 12 de abril.

Haverá cursos em 14 estados, abrangendo todos os níveis de escolaridade. Segundo a empresa, 60% das vagas são referentes a níveis básicos de estudo. O anúncio oficial do 6º ciclo do Prominp será feito hoje (5) pela presidenta da estatal, Graça Foster, quando haverá o detalhamento das condições para se concorrer às vagas.

O objetivo dos cursos oferecidos pela Petrobras é qualificar mão de obra nacional para suprir a demanda por trabalhadores nos setores de petróleo e gás, que devem absorver um número cada vez maior de profissionais nos próximos anos.


Fonte: Agência Brasil
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domingo, 4 de março de 2012

Conheça a vida dos trabalhadores de uma plataforma de petróleo no Brasil



FABIA PRATES // Folha.com
ENVIADA ESPECIAL À P-43
O cenário parece o de um filme de ficção científica. Centenas de homens e pouquíssimas mulheres aguardam a chamada do alto-falante para embarque rumo a destinos exóticos: P-09, P-53, SS-50, PRB-01, PCM-03.
Na pista, dezenas de helicópteros alinhados, como se estivessem prontos para partir rumo a uma batalha, esperam seus ocupantes.
Eles chegam. Vestem coletes de um laranja muito vivo, precaução necessária caso haja um acidente no caminho –a cor forte, em contraste com o azul profundo do mar, facilita a localização.

Gizelle Ferreira Rangel trabalha na plataforma FPSO P 43 da Petrobras, no Campo de Barracuda, no municipio de Macae. // Foto de Rafael Andrade - Folhapress
Usam ainda um colete-boia azul, sobre o laranja, e sapatos fechados. Chinelos e sandálias são proibidos em nome da segurança no desembarque. Bagagem de mão também não é permitida. Celulares são lacrados em sacos plásticos, de onde só podem sair na volta.
O aeroporto de Macaé, cidade do litoral norte fluminense a 192 km do Rio, é o ponto de partida para as 54 plataformas que a Petrobras opera na bacia de Campos, de onde sai 84% da produção de petróleo do país.
Ao todo, a Petrobras tem 120 plataformas em operação, onde “vivem” mais de 10 mil pessoas em um esquema de trabalho que estabelece jornadas diárias de 12 horas, por 14 dias consecutivos.
Em troca, aqueles que aceitam esse trabalho de alto estresse e risco recebem 30% de adicional salarial, não têm nenhuma despesa enquanto embarcados e ganham 21 dias de folga.

DESTINO: P-43

A equipe da Folha embarcou em um desses helicópteros rumo à P-43, no campo de Barracuda, navio-plataforma em operação desde 2004. São 106 km mar adentro, viagem que dura 45 minutos.
Do alto tem-se melhor a dimensão da grandiosidade que cerca a produção petroleira do Brasil. Após alguns minutos de voo nos quais só se vê céu e mar, começam a surgir plataformas e navios.
O helicóptero pousa na P-43. A plataforma é do tipo FPSO, sigla do inglês “floating production, storage and offloading”, o que significa que ali se produz, armazena e processa óleo e gás.
A primeira sensação: a plataforma balança. Não o suficiente para causar enjoo, mas sim para forçar um constante reequilíbrio.
A segunda: a P-43 não é um lugar comum. As dimensões impressionam. A estrutura tem 337 metros de comprimento (mais do que quatro Airbus-A380 enfileirados), 65 metros de altura (igual a um prédio de 21 andares) e pesa 311 toneladas.
Logo ao desembarcar, o engenheiro Moisés Alves Pereira, 30 anos de Petrobras, gerente da plataforma e anfitrião na visita, dá instruções de segurança.
Ele explica que, a qualquer sinal sonoro de alerta, é preciso se dirigir –com calma, se é que isso é possível para quem nunca esteve lá– aos lugares predeterminados.
Na área industrial, onde estão os dutos que trazem o petróleo do mar, só é possível entrar com EPIs (Equipamentos de Proteção Individual): macacão laranja, óculos, luvas, botas, protetor auricular e capacete.
Com todos vestidos da mesma forma, a única maneira de diferenciar embarcados de forasteiros é a roupa limpa dos últimos. São inúmeros tubos, armações, geradores, pressurizadores, aquecedores. O ruído é insuportável, mesmo com os protetores de ouvido.
Não se vê ninguém caminhando pela plataforma. Tudo ocorre dentro de salas de controle, que comandam e vigiam a produção 24 horas por dia em telas de 17 computadores e monitores de três televisores.
Num dos extremos da plataforma ficam dormitórios, restaurante e escritórios. Ali não se tem a noção de estar a mais de 100 km da costa. Há uma sala de reuniões com mesa gigante, cadeiras confortáveis, sofás, projetores, TV, internet, ar-condicionado, cafezinho e frigobar.

Editoria de arte Folhapress

VIDA ISOLADA

Trabalhar embarcado é passar longos períodos isolado do mundo, suportando diversas restrições –estar longe da família, não usar o celular e, principalmente, não poder sair do local de trabalho no momento que quiser. Durante 14 dias, casa e trabalho são o mesmo lugar.
A média por embarque da P-43 é de 180 pessoas –das quais apenas 15 são mulheres. O grupo tem idade em torno de 35 anos. São engenheiros, técnicos de operação, profissionais de segurança, mergulhadores, rádio-operadores, técnicos de enfermagem e profissionais da hotelaria (cuidam da hospedagem e da alimentação).
A vida de um embarcado é difícil, mas muitos optaram por ela. Nos cinco primeiros anos na Petrobras, a técnica de logística de transporte Gisele Ferreira Rangel, 32, batia cartão no porto de Macaé e morava em Campos. Pediu para trocar a terra pelo mar.
“Com 21 dias de folga, aproveito melhor o tempo com a minha filha”, diz Gisele, que é mãe de uma menina de 12 anos.
Técnica de enfermagem, uma das responsáveis por prestar atendimentos de primeiros socorros aos embarcados, Maria Aparecida da Costa Silva diz que, quando está de folga em casa, costuma se confundir. ‘Digo que vou para o camarote em vez de para o quarto.’

COMO UM HOTEL

Para atender os embarcados, a plataforma funciona como um hotel. O café da manhã começa a ser servido às 6h. A última refeição, a ceia, é feita entre 23h e 1h.
Uma empresa terceirizada de hotelaria cuida da limpeza das acomodações e do preparo da comida.
No cardápio, elaborado por uma nutricionista, há sempre carnes vermelha e branca, salada, arroz e feijão, doces e frutas, além de sucos e refrigerantes. Por mês, são consumidas em média seis toneladas de alimentos.
As acomodações são coletivas, com banheiro e TV com programação a cabo. As cabines –os camarotes– têm entre 12 metros quadrados e 18 metros quadrados e lembram as de navios de cruzeiro.
Na P-43 são 47 camarotes para quatro pessoas (dois beliches), oito para duas pessoas e um para três. Não há privacidade. Tudo é feito sob o olhar dos colegas.
Bebidas alcoólicas são proibidas. Há cabines telefônicas para que os embarcados se comuniquem com as famílias e sala com computadores para acessar as redes sociais. Há áreas de convivência e lazer e até uma quadra de futebol e uma piscina.
Nas noites de quarta-feira, o grupo se reúne para um churrasco. É o dia de comemorar a volta para casa –os embarques acontecem às quintas, quando chegam os novos grupos. A cerveja é liberada. Mas sem álcool.

Editoria de arte Folhapress
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O desafio de superar a saudade numa plataforma de petróleo


A plataforma Cidade Angra dos Reis, no Campo de Tupi, Bacia de Santos (RJ) - Foto: Stéferson Faria/Agência de Notícias Petrobras

Trabalhar numa plataforma petrolífera como a unidade Cidade de Angra dos Reis, que entrará em operação nesta quinta-feira (28/10) no litoral do Rio de Janeiro, é um exercício constante de reinvenção dos costumes, referências pessoais e familiares, noção de tempo e espaço. Mas sobretudo é um desafio de superação de um sentimento comum a todos: a saudade. A nova plataforma brasileira, que chegou ao País há um mês, conta hoje com 120 trabalhadores. Eles ficam 15 dias embarcados e folgam outros 15, e têm uma rotina diária que exige disciplina, treinamento e comprometimento, mas principalmente o companheirismo para superar a saudade quando ela aperta.
É o que afirma Emanuel Oliveira, enfermeiro que trabalha no pequeno hospital equipado da embarcação. A unidade está preparada para prestar todo tipo de atendimento, diz ele, até os casos de saudade: “Aqui somos uma família. Muitas vezes o nosso atendimento é uma conversa, uma palavra amiga.” A maioria sente falta da família. O gerente operacional da Petrobras, Humberto Americano, trabalha embarcado há 24 anos e diz que essa falta é combatida com a convivência amistosa entre os colegas. Ele lembra de um caso em que seus filhos, quando pequenos, chegaram a tramar para que faltasse ao trabalho. “Meus filhos sumiram com a chave de casa pra eu não sair para trabalhar, eles não queriam que eu fosse embarcar”, lembra, emocionado.
O mergulhador José Danilo diz que a saudade é uma grande “amargura” que enfrenta com muito exercício físico e as opções de lazer existentes na plataforma – TV, internet e livros. É um dos que mais torce para que a prometida academia de ginástica da embarcação fique pronta o quanto antes.
Já o Mestre de Cabotagem Eraclides Santos, responsável pela manutenção da segurança pessoal e ambiental, está feliz com o que o mar tem a oferecer: tranquilidade, paz, baleias e golfinhos. Ele é apaixonado pela vida que leva e diz que para afastar a saudade quando ela chega, basta olhar para o belo cartão postal natural que tem para todos os lados. “O mar é uma paixão. A gente escolhe essa atividade exatamente para estar em contato com o que a gente gosta”, afirma. “O mar nos traz todos os dias uma coisa nova, uma situação nova. A gente trabalha, faz o que gosta, mas com essa maravilha que é estar aqui, vivendo nesse oceano, no nosso Brasil tão bonito, tão rico, isso dá prazer.”
Para trabalhar em uma embarcação, há uma seleção rigorosa. Luiz Carlos Mendes, gerente ativo de produção senior, é um dos responsáveis por escolher os que vão para alto mar. Ele explica que a pessoa precisa ter um perfil específico e com disponibilidade para se dedicar em tempo integral. Para os que escolhem essa profissão, há vantagens. Os salários são maiores que os do pessoal de terra, há seguro de vida e outros benefícios. A grande desvantagem, admite, é o afastamento da família e amigos. “Para trabalhar aqui, é necessário que essas pessoas tenham um perfil voltado para a área operacional. A pessoa tem que gostar dessa atividade, desse ritmo de vida, porque não tem horário, essas pessoas estão aqui tempo integral à disposição da empresa e às necessidades do trabalho”, diz Mendes.
A plataforma Cidade de Angra dos Reis está ligada a nove poços do pré-sal da Bacia de Campos e será a unidade produtora do Sistema Piloto de Tupi. Quando estiver em pleno funcionamento, no ano que vem, ela produzirá 100 mil barris por dia e 4 milhões de metros cúbicos de gás.
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